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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Em busca do brilhantismo perdido

Amun-Re : clássico do Reiner Knizia.

Como em grande parte do ramos do entretenimento (música, cinema, livros), nos jogos de tabuleiro também temos os gênios e esses gênios também tem seus momentos de brilhantismo e depois para manter o nível é que a coisa pega.

Ontem jogamos lá em casa dois jogos brilhantes do Reiner Knizia (Amun-re e RA) e comentamos que atualmente não se encontram mais jogos dele no mesmo nível das suas obras-primas, e assim como ele, vários outros autores tem passado por isso.

 
Tikal : Uma das obras-primas do Wolfgang Kramer.

Outro exemplo claro pra mim é o Martin Wallace, quando eu comecei nos tabuleiros modernos em 2004, os jogos do Wallace eram sinônimos de brilhantismo. Automobile, Age of Steam, Liberté só para citar alguns, são aulas de design e hoje ele vive desse legado mas tem lançado só jogos "ok" e nem parece muito fazer força para voltar aos bons momentos.

Já um caso de cara que tem tentado voltar aos topo, mas não tem conseguido ainda, é o Wolfgang Kramer. Autor de El Grande, Princes of Florence e Tikal, ele tem feito jogos com frequência, tentando colocar mecânicas interessantes, mas os jogos atuais dele não se comparam aos clássicos.

Age of Steam : Crueldade e genialidade do Martin Wallace.

Além desses citados temos os casos de autores que "sentam" no seu maior sucesso e nem tentam mais, caso do Klaus Teuber, que apesar de ter outros jogos muito bons (como Domaine e Elasund), deitou na fama do Catan e ano após ano extrai o que pode dele.

Esses são exemplos de autores geniais, que deixaram sua marca nos jogos de tabuleiro modernos e de quem sempre esperamos consigam voltar aos seus velhos tempos e nos surpreendam com novos "Dark Side of the Moon" dos tabuleiros.

Catan : Referência em jogos modernos, criado pelo Klaus Teuber.

Na minha opinião, muito disso se deve ao crescimento absurdo de autores e jogos que surgiram de 10 anos para cá, e com isso fica muito mais difícil (mesmo para gênios) conseguirem aparecer com coisas novas ou jogos com mais relevância.

O fato é que hoje temos muitos autores também brilhantes (como Feld, Uwe e Vlaada) que conseguem manter uma consistência maior em seus jogos. Mas será que também eles chegarão ao dia de lançar jogos normais dando lugar a uma nova safra de autores brilhantes? Só o tempo dirá.

5 comentários:

Nuno Bizarro Sentieiro disse...

Excelente artigo !

Luish Coelho disse...

Sobre o Martin Wallace, acrescento o Brass, como seu jogo genial. E cabe pensar que ele fez o A Few Acres of Snow, um caso estranho onde foi inicialmente considerado ultra inovador, por colocar deck building utilizando tabuleiro e junto de mecânicas de confrontos. Porém, depois que o jogo foi para plataforma digital, com um monte de gente jogando, foi encontrada uma estratégia forte para a Inglaterra (batizada de Halifax Hammer) e muitos consideraram o jogo quebrado, caindo na opinião geral. Eu continuo achando-o um ótimo jogo, apesar disso. E depois veio o Mythotopia, que é muito bom, mas tem uma condição estranha de fim de jogo que faz a partida demorar muito e também tem sido criticada. O Study in Emerald (primeira edição) é ótimo! A segunda ainda não vi. Sobre o Teuber, o Lowenherz também é excelente, não consigo pensar como seria o jogo original que juntava este, o Catan e o Entdecker! Genial foi o editor que propôs separar em três diferentes. Sobre o Kramer, o cara mantém o nível com jogos bons, não acha? Coal Baron é um bom jogo de entrada para novos gamers. Além deles, gosto muito do Cramer de Lancaster, Glen More e Kraftwagen, e dos criadores de Tzolkin e Viagens de Marco Polo, dois jogos geniais, muito legais que vão pra mesa toda hora por aqui, a dupla Simone Luciani e Daniele Tascini.

Luish Coelho disse...

E depois de ver o comentário do Nuno Sentieiro, como não falar dos designers portugueses? Para mim, Madeira e CO2 também são jogos geniais.

Carlos "Cacá" disse...

Grande Luish e Nuno... Então cara, eu ainda acho o Wallace um bom autor, o Moongha é bacana, o PI e o Ankh-Morpork são interessantes, mas nunca mais saiu um Brass ou um Automobile, acho que ele perdeu um pouco a mão (ou o tesão)...

O Kramer é um dos meus preferidos, ainda faz jogos muito bons, adoro o Asara, sou pilhadão pra jogar o Porta Nigra, mas é outro que mesmo com jogos legais está longe de lançar outra obra-prima....

O Teuber desistiu de tentar... :D

Luish Coelho disse...

Sobre o Automobile, jogo ele com bastante frequência, outro dia fiz uma tabela com o lucro de cada produção de carros e quero testar jogar com esse player aid em breve (vou colocar no BGG). Imagino que mude bastante o modo de se jogar ao se eliminar a necessidade de ficar calculando as coisas e deixar claro quais são os riscos de cada tipo de carro.