sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

ENTREVISTA : Thomas Ewert

Começando as comemorações do primeiro ano do blog, tive a oportunidade de entrevistar o co-autor do Container, membro do forum BG-BR (junto com a sua esposa Sheila) e um cara super gente boa. Um pouco mais agora de Thomas Ewert.



[E aí tem jogo]: Fale-nos um pouco de você, como começou a sua história com os board-games e quando você começou a se interessar em criar jogos?

[Thomas]: Meu nome é Thomas Ewert, nasci em 1973, em Magdeburg, na Alemanha Oriental de onde consegui, juntamente com minha família, fugir em 1989 (5 meses antes da queda do muro de Berlim) chegando na Alemanha Ocidental fomos morar em Düsseldorf e desde 2006 moramos, eu e minha esposa, em Munique. Sou casado há oito anos com uma brasileira, Sheila Alessandra Rizzato Ewert.

Eu trabalho como engenheiro em uma firma de aparelhos de refrigeração industrial baseados no princípio Peltier.

Eu sempre adorei jogos de tabuleiro. Mas, depois de 1995 com o lançamento de "Die Siedler von Catan" aprofundei-me neste universo de jogos, visitei pela primeira vez a Spielemesse em Essen (feira de jogos em Essen).


Foto da capa do seu primeiro lançamento, o Container.

Minha primeira idéia para um jogo foi em 2001 enquanto comia no refeitório da universidade. Imediatamente desenvolvi esta idéia e montei um protótipo, logo conseguindo uma empresa que se propôs a publicar este jogo, infelizmente a empresa faliu antes que o jogo saísse. Desde então tenho regularmente novas idéias de jogos.

[EatJ?]: Na hora de pensar em um jogo novo, em que você pensa primeiro a mecânica ou o tema?

[TE]: É variado, algumas vezes penso primeiro no tema, algumas vezes na mecânica e até já desenvolvi um jogo cuja primeira idéia foi o nome do mesmo.

[EatJ?]: Quais são seus autores preferidos e os jogos que você mais gosta?

[TE]: São muitos, mas posso citar alguns.

Autores:

Franz-Benno Delonge, Michael Schacht, Alan Moon, Klaus Teuber, Bruno Faidutti, Alex Randolph, Sid Sackson, Leo Colovini, Wolfgang Kramer, Urs Hostettler, Rüdiger Dorn, Andreas Seyfarth, Klaus-Jürgen Wrede, Dirk Henn e algum outro de quem talvez eu tenha me esquecido.

Jogos:

Die Siedler Von Catan, Zug um Zug (Ticket to Ride), Big City, Carcassone, Die Säulen Der Erde (The Pillars Of The Earth), Manila, Eufrat & Tigris (chama-se assim mesmo em Alemão), El Grande, Goldbräu, Dos Rios, Borneo, Im 80 Tagen um die Welt, Blokus, Union Pacific, Kleopatra, Caylus, Die Sieben Siegel, Lost Cities, Entdecker, Thurn und Taxis, Coloretto, Junta e muitos mais...

[EatJ?]: Atualmente você tem tido tempo para jogar coisas novas ou apenas testar seus protótipos?

[TE]: Temos pouco tempo para jogar, mas nos esforçamos para ter mais tempo e jogamos sim, vários outros jogos, além dos meus protótipos.

[EatJ?]: Quais foram suas inspirações para criar o Container? E você esperava um sucesso tão grande?

[TE]: Minha idéia inicial era criar um jogo onde os jogadores teriam influência direta nas regras deste. Sendo assim, desenvolvi um jogo de comércio e neste havia políticos que através de embargos limitavam os produtos que seriam produzidos ou comercializados em diferentes fases do jogo.

Durante um encontro de autores de jogos conheci o Franz-Benno, fizemos amizade rápido e ele interessou-se pelo jogo propondo algumas mudanças e uma parceria neste.

Depois de um tempo percebemos que esse fator dos políticos só atrapalhava. E depois de 4 anos e meio de trabalho e alterações, saiu o Container. A idéia inicial do jogo permaneceu, mesmo assim.


Foto do Container. Foto BGG.

[EatJ?]: Como foi a parceria com o Franz-Benno Delonge? E qual a diferença entre criar sozinho ou em dupla?

[TE]: A parceria foi ótima, éramos bons amigos, e o desenvolvimento do jogo ocorreu sem problema algum. Em quase todos os jogos-teste estávamos presentes, eu e ele. Infelizmente, ele viu apenas a caixa do jogo pronta pela internet, ele faleceu em setembro e o jogo saiu em outubro em Essen. Ele estava muito feliz com o lançamento do jogo e lutou muito contra sua doença pois queria de todo jeito ir a Essen para o lançamento, lamentavelmente ele não conseguiu.
A principal diferença de criar sozinho ou em dupla, é na minha opinião, que estando em dupla, encontra-se soluções para eventuais problemas que apareçam durante o desenvolvimento do jogo muito mais rapidamente do que estando sozinho, pois o parceiro vê as coisas de uma maneira diferente da sua. Além disso, quando se está sozinho, mesmo testando muito o jogo, sempre resta uma dúvida se o jogo funcionará ou se o jogo não possui uma estratégia que leva sempre à vitória, pois nem sempre enxerga-se todas as possibilidades. Quando dois atentam para isso fica muito mais fácil de reconhecer qualquer problema.

[EatJ?]: Quanto aos próximos projetos, já tem alguma coisa encaminhada?

[TE]: Eu geralmente tenho protótipos sendo testados em diversas empresas. No momento há duas empresas que estão concretamente interessadas em dois jogos, mas por questões contratuais, não posso fornecer mais detalhes, assim que me for permitido, falarei mais sobre estes projetos.

Aqui em casa há muitos protótipos meus que estão sendo testados e desenvolvidos. É claro que o meu objetivo é colocar mais jogos no mercado e que as pessoas divirtam-se muito com eles.

[EatJ?]: Você que tem contato tanto com o mercado brasileiro quanto o alemão, nos fale um pouco sobre as diferenças entre os dois.

[TE]: Sinceramente, não dá para comparar. Aqui na Alemanha é um paraíso, mesmo havendo um problema na distribuição de alguns jogos devido à burocracia e à falta de informação de alguns compradores dos sortimentos de lojas de jogos em relação aos lançamentos de empresas pequenas. No Brasil encontra-se pouquíssimo nas lojas. Compra-se pela internet, o que encarece tremendamente já que paga-se em euros ou dólares além do correio e impostos. Essa é a principal diferença: o acesso aos jogos.

Eu já joguei com brasileiros também e minha impressão é a de que são tão entusiasmados no jogar quanto os alemães. E os fãs brasileiros de jogos estão extremamente bem-informados acerca das novidades. Mas há uma diferença: uma rodada de Siedler von Catan com minha família no Brasil (sogros, cunhados, cunhadas, etc) é duas vezes mais barulhenta e animada do que uma rodada com alemães (risos).


Thomas ensinando o jogo na Ludus. Foto Ludus.

[EatJ?]: Obrigado pela entrevista e sucesso nas próximas empreitadas.

[TE]: Eu que agradeço pela oportunidade de falar um pouco sobre mim, Benno e sobre nosso jogo. Estamos, eu e minha esposa, muito felizes em saber que os brasileiros também jogam e com tanto entusiasmo. Também por saber que o Container leva alegria e diversão a muitas pessoas.

Esperamos que o mercado brasileiro abra-se cada vez mais para esse maravilhoso universo que é o dos jogos de tabuleiro. Estou aberto para quaisquer perguntas ou dúvidas sobre jogos e claro, sobre o Container.

Obrigado e abraços

Thomas Ewert

13 comentários:

Luish Coelho disse...

boa entrevista, quero jogar Containner!

Davi disse...

Grande Cacá,
Parabéns pela entrevista. Muito legal.
Legal saber que tem um Game Designer que conhece um pouco sobre os jogos de tabuleiro no Brasil. Parabéns pelo Container Tomas. Espero jogá-lo em breve.
Abraços.

Formiga disse...

Davi é meu irmão. :)))
abs.

Kinho, El Primoroso disse...

Parabéns Cacá! Essa entrevista repercutirá muito bem no nosso hobby.

Também quero conhecer o Containner.

Abraço

Marcelo Nunes disse...

fala Cacá.. blza ?? parabéns pela entrevista.. o Thomas é gente finissima.. assim como a Sheila.. . .tive oportunidade de jogar goldbrau com ele na jogasampa.. com regras em alemão com tradução simultanea ! ! :) pena que não deu pra jogar container com ele.. mas valeu por conhecê-lo.. gente bonissima ! !

Cacá disse...

A todos que deixaram seus comentários "obrigado", vamos ver se ano que vem tomo coragem para fazer entrevistas com os autores lá de fora também...

Abraços a todos...

Edu disse...

Ótima entrevista Cacá, talvez eu jogue o Containner hoje. Gostei da camisa do Thomas, hehe.
abs.

Julio disse...

Parabéns Cacá, a entrevista ficou show! Parabéns pelo 1º ano de vida do Blog, o conteúdo está ótimo!

Um abraço,

Trois
www.jrois.com.br

Cacá disse...

Fala Edu e Pulga... valeu pelos elogios... =)

Edu, a camisa é maneira mesmo, eu tô aqui me coçando depois da possibilidade do cara vir ao Brasil novamente (a primeira vez eu perdi)... =D

Abraços a todos...

Cadu disse...

Grande Cacá!

Li a entrevista hoje. Parabéns.
Vida longa pra o seu blog!

[]s,

Cadu

soledade disse...

Boa entrevista. Não sabia que ele tinha toda essa ligação com o Brasil. Muito interessante a forma como ele vê a diferença de jogar entre brasileiros e alemães. Presumo que a nossa seja mais parecida com a vossa do que com a deles, também. Pelo menos, por aqui não faltam as "caralhadas" a cerveja e o queijo! :)

Abraços
PS

Cacá disse...

Fala Cadu... Valeu pelo elogio a entrevista e ao blog... é lendo as suas resenhas que eu fico com mais vontade de fazer as minhas melhores.. mas ainda tá difícil... hAHhahAHahHAhahAHa...

Grande Soledade... pois é, a gente acaba descobrindo esses "links" com o Brasil e aproveita logo o máximo que pode... quanto as jogatinas, acredito que as jogas "lusas" devam ser tão divertidas quanto as brasileiras... mas só estando aí pra conferir.... quem sabe em breve... ;)

Abraços aos amigos...

Carlos Abrunhosa disse...

Parabéns grande Cacá!
E já agora quando vieres a Portugal não te esqueças de me visitar!

Avisa antes para eu te dar a morada! ;)

Abraço luso